“Dois perdidos numa noite suja” Plínio Marcos

Em dezembro de 1965 estreou no Ponto de Encontro na Galeria Metrópole, no centro de São Paulo, a peça de Plínio Marcos “Dois perdidos numa noite suja” interpretada pelo próprio autor como Paco e por um jovem ator paulista, Ademir Rocha, no papel de Tonho.

O Ponto de Encontro era uma espécie de livraria e bar com um pequeno palco para apresentações de shows, e foi lá o único local que se conseguiu para a apresentação da peça, pois nenhum teatro na ocasião se dispôs a apresentar uma peça teatral de autor desconhecido. Com a ajuda de alguns amigos e material cenográfico fornecido pela extinta TV Tupi, onde ambos os atores eram contratados, a montagem da peça conseguiu finalmente estrear.

Como o próprio autor Plínio Marcos diria algumas décadas depois:
“Não é fantástico se lembrar de toda uma imensa platéia na estréia tanto tempo depois” se referindo ao fato de naquela noite somente a mulher do Plínio, a mulher e a cunhada do Ademir, o Roberto Freire (dramaturgo e critico do jornal “A Ultima Hora”), o Carlos Murtinho (diretor teatral) e um bêbado formarem a platéia.

No dia seguinte a estréia coube ao Roberto e ao Carlos divulgarem para toda a cidade que havia surgido um gênio na dramaturgia brasileira. Rapidamente a apresentação da peça foi fazendo tanto sucesso que o Teatro de Arena se ofereceu como local para a continuidade da temporada. A peça, então, ficou com tamanha exposição que provocou um debate na TV Tupi entre a classe teatral e alguns políticos sobre a validade ou não de se assistir o espetáculo com aquela temática.

A repercussão que esse debate provocou gerou uma enorme celeuma a respeito da peça e, conseqüentemente o interesse das pessoas em conhecerem o espetáculo, e foi então, que aconteceu algo absolutamente inusitado nos palcos brasileiros: filas imensas se formavam no entorno do Teatro de Arena para assistir à peça. Após essa temporada de imenso sucesso a peça foi solicitada para ser apresentada em praticamente em todo o Brasil e se tornou um clássico da dramaturgia brasileira.

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crítica por Décio de Almeida Prado para o Jornal O estado de São Paulo em 1965
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crítica por Alberto D'Aversa para o Jornal Folha de São Paulo em 1966